quinta-feira, 31 de maio de 2012

Greve é suspensa. Estado de Greve continua! Dia 13 de junho, assembleia geral avaliará negociação e definirá rumos do movimento

A asssembleia geral docente desta quinta-feira decidiu suspender a greve iniciada na segunda-feira (28), tendo em vista o canal de negociação aberto pelo governo do Estado em torno da questão salarial e das pautas da campanha SOS UESPI. Após avaliar a importância da deflagração da greve que arrancou audiência com o governador e abertura de negociação, a categoria docente decidiu pela suspensão do movimento, mas permanecendo em Estado de Greve, ou seja, em situação de mobilização que permita a retomada de nova paralisação, a qualquer instante, caso o governo não negocie efetivamente com a categoria.

O governador Wilson Martins, em audiência com o comando de greve no dia 29, comprometeu-se a apresentar proposta de reajuste salarial, até o dia 12 junho, aos docentes da UESPI, adiantando que estuda uma aproximação do atual piso do auxiliar 20h ao patamar do que recebe o professor de mesma classe e jornada de trabalho das Universidades Estaduais do Ceará. Enquanto no Piauí o piso é de R$ 1.071,00, no Ceará é de 1.467,00. A reivindicação da Associação dos Docentes da UESPI, no entanto, é de R$ 2.324,00 (salário mínimo do DIEESE) para o professor Auxiliar I 20h.

No dia 13 de junho, será realizada nova assembleia geral docente na UESPI para avaliar o resultado da negociação marcada para o dia 12. Durante a assembleia de hoje, foi definido que o calendário de visita aos campi será mantido, assim como o comando de greve deve refazer programação de atividades com o objetivo de continuar mobilizando a categoria em torno da campanha salarial.

Foi aprovada ainda a formação de uma comissão composta por três professores, três estudantes, três técnico-administrativos, e um representante da Central Sindical e Popular - CSP Conlutas (entidade à qual somos filiados), para negociar com o governo as pautas da campanha SOS UESPI, como a construção de restaurantes universitários, laboratórios, compra de equipamentos, recebimento de estruturas para a UESPI, como o prédio do extinto Instituto Superior de Educação Antonino Freire (ISEAF), acompanhar processos de licitação, e cobrar nomeações de aprovados e classificados dos concursos para docente e técnicos.

Os representantes da comissão de negociação salarial docente aprovada em assembleia geral anterior (Chagas Moura, Roberto Kennedy e Graça Ciríaco) foram mantidos, ganhando reforço de uma suplente, a professora Fátima Veras. Estes professores farão parte juntamente com a direção da ADCESP da comissão com servidores e estudantes, atendo-se também à negociação salarial com o governo. Os estudantes e técnicos se reunirão para escolha de representantes junto à comissão, assim como a coordenação da CSP Conlutas também fará indicação de um nome.


Nossa vitória depende de nossa luta!

A assembleia geral foi acompanhada pelo assessor da Secretaria Estadual de Administração, Evaldo Ciríaco, que foi nomeado interlocutor pelo governo para a negociação das pautas da comunidade universitária. Ao final da decisão de suspensão da greve, Ciríaco pediu permissão para se manifestar na assembleia, confirmando o relato feito pelo Comando de Greve sobre a negociação com o governador e os compromissos firmados pelo governo e comprometeu-se receber a comissão prontamente, assim que ela se formasse.

Durante a assembleia, sucessivas falas de professores e professoras lembravam que nossa confiança está na luta e na nossa organização. O governo Wilson Martins já descumpriu acordos com outras categorias e precisamos ficar atentos e mobilizados para que o mesmo não aconteça em relação à comunidade uespiana. O governo tem dinheiro de sobra para fazer as obras necessárias e compra de equipamentos, além de atender nossa pauta salarial.

Caso não estejamos mobilizados, é possível que os compromissos assumidos virem apenas promessas a serem esquecidas e que os recursos necessários para a melhoria da Educação Pública acabem sendo aplicados em pagamento de juros da dívida pública e obras estruturantes de interesses dos grandes grupos empresariais e empreiteiras. O recente empréstimo de $ 350 milhões (em dólares) contraído pelo governo do Estado tem o objetivo de, em grande parte, pagar uma dívida pública de origem duvidosa. No entanto, tais recursos deveriam ser investidos integralmente em educação e saúde públicas, dentre outros setores sociais igualmente sucateados.

A hora é de fortalecer a mobilização, pela base!


Nesse momento, ampliar o trabalho de mobilização de base é uma das tarefas prioritárias do movimento docente, assim como dos técnico-administrativos e estudantes. É necessário ampliar o diálogo com toda a comunidade universitária para fortalecer a luta por melhores salários, condições de trabalho e estudo, em defesa da UESPI, com mais verbas e autonomia financeira.

No caso dos docentes, teremos que reforçar o diálogo com professores efetivos recém-nomeados, e com os substitutos, no sentido de mostrar a importância de um envolvimento maior nas mobilizações e para contar com todos eles com a possível retomada da greve, antes do início do período 2012.2, caso seja necessário.

A importância do envolvimento dos novos professores

Mesmo sabedores do direito de fazer greve, muitos destes novos colegas alegaram que continuariam em sala de aula alegando a entrada tardia no período letivo (por conta da demora nas nomeações) e que seriam completamente a favor de entrar na greve somente se ela fosse deflagrada no início do próximo período letivo. Compreendemos a situação mas fazemos novamente o chamado fraterno aos novos colegas pela necessidade de desde já se integrarem à luta em defesa da UESPI.

A ADCESP quer ficar cada vez mais próxima da categoria docente e para isso, dentre outras medidas, pretende modificar regimento/estatuto para ampliar a participação da base, sobretudo nos campi do interior, na diretoria da entidade. Enquanto a mudança estatutária não acontece, a ADCESP deve voltar a visitar os campi do interior e fazer reuniões setoriais para envolver ainda mais a categoria.

A greve iniciada no dia 28 teve um peso importante, e apesar das dificuldades iniciais da deflagração de todo movimento grevista, poderia ter um crescimento ainda maior, com a sinalização das mobilizações em campi do interior, a partir da semana seguinte. As falhas que cometemos durante este primeiro momento serão corrigidas para que nossa possível retomada da greve aconteça com mais força ainda. Junto com o fortalecimento do trabalho de base, a ADCESP reforçará a campanha de filiação de professores. Afinal, sindicato forte se faz com participação efetiva da base.

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