A
representação da Associação dos Docentes da Universidade Estadual
do Piauí (ADCESP) no Conselho Universtário até que tentou adiar a
decisão, mas a reitoria da Instituição preferiu fazer votar e
aprovar de forma apressada, e sem o devido debate, o edital do
Sistema de Seleção Unificada (Sisu, o “novo” vestibular) para o
ano de 2016. A votação aconteceu na manhã desta quarta-feira (28),
na sala de reuniões do Conselho Universitário (Consun) da Uespi. Em
comparação com o ano de 2015, serão ofertadas 1.885 vagas a mais.
Se no edital
Sisu 2015 foram ofertadas 3.100 vagas em 89 cursos, agora a oferta
sobe para 4.885 vagas, em cerca de 140 cursos. “O problema não é
simplesmente aumentar vagas. Defendemos a expansão da UESPI, mas de
forma planejada e responsável, com boa qualidade. É preocupante que
o Conselho Universitário tenha se apressado em votar este edital sem
a devida cautela e sem um debate aprofundado com a comunidade
universitária. Se já vivemos sérios problemas atualmente devido a
falta de recursos suficientes na Universidade, dá para imaginar o
grau de precarização que atingiremos na Uespi no próximo ano, já
que não há previsão de qualquer aumento de verbas proporcional
previsto na minuta de Lei Orçamentária Anual apresentada pelo
governo do Estado para 2016”, alerta a professora Lina Santana,
representante da Adcesp. “Se o cenário que temos hoje for mantido,
ou seja, de aumento de vagas, sem aumento suficiente de recursos e
sem concurso para professor efetivo, o que teremos é uma expansão
sem o devido planejamento e cuidado”, completou Lina.
Mesmo com um
debate polêmico que durou mais de duas horas, onde a representação
da ADCESP mostrou que era preciso a UESPI se assegurar com orçamento
digno, contratação de professores efetivos a partir de concurso
público e grande melhoria estrutural para dar conta da demanda a ser
gerada pela proposta apresentada de edital Sisu 2016, o Conselho
Universitário acatou em reunião a defesa do reitor Nouga Cardoso em
favor do aumento de 1.885 vagas.
“Pena que
a reitoria da Uespi não se movimente com a mesma firmeza para cobrar
do governo Wellington Dias (PT) um aumento digno em nosso orçamento,
e o respeito à Lei Complementar 124/2009 que obriga que todos os
professores da Uespi sejam efetivos. Infelizmente, cerca de 45% dos
nossos professores têm contratos precários
(substitutos/temporários). Resta à comunidade universitária se
mobilizar contra a ameaça de cortes já agora no orçamento de 2015
e também lutar para exigir do governo Wellington aumento de orçamento para o ano de 2016, com
garantia de concurso para professor efetivo, e com garantia de
políticas de permanência para a comunidade estudantil, como
restaurante universitário, e melhorias estruturais urgentes nos
campi”, opinou o presidente da Adcesp, Daniel Solon. "Hoje já vivemos muitas dificuldades na Uespi, e nem mesmo direitos como mudança de nível, classe, regimente de trabalho, e reajustes salariais dos docentes estão sendo respeitados pelo governo, segundo a Lei. Por isso, vamos realizar mobilizações nos próximos dias, com um dia de paralisação em 11 de novembro", anuncia Daniel Solon.
A
conselheira universitária Lina Santana havia solicitado adiamento da
votação do edital Sisu 2016 por falta de informações concretas a
respeito do aumento da oferta de vagas, mas o pedido foi negado. “A
administração superior se negou a nos passar as cópias das atas de
colegiados de curso que solicitavam aumento de vagas por campi e
também não nos passou outras informações a respeito do suporte
financeira da Instituição. Isso prejudica o debate democrático e
também impede que o conjunto da comunidade universitária possa
conhecer e opinar sobre a proposta de oferta de vagas do Sisu. Tal
assunto diz respeito diretamente ao funcionamento cotidiano da Uespi
e não poderia ficar restrito a uma discussão apressada no Conselho
Universitário”, disse Lina. Por conta da forma como a votação foi feita (sem que a conselheira Lina Santana tivesse recebido a documentação que solicitou, por ofício, para a devida análise), a ADCESP não descarta procurar o Ministério Público para rediscutir a questão.
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